Impresa

O Desafio do Trigo na Safra 2026/27: Altos Custos e Retração no Campo

Compartilhar

Com o avanço do plantio de trigo no Brasil para a safra 2026/27, especialistas identificam um cenário de retração para a cultura de inverno. Com a semeadura praticamente finalizada, os números apontam para uma redução de, aproximadamente, 40% na área plantada em comparação ao ciclo passado.

De acordo com o gerente de commodities da Cooperativa Tradição, Almir Sauthier, a diminuição é bastante expressiva para a região, que historicamente tem forte representatividade na produção paranaense e nacional. Entre os principais fatores que motivaram o recuo dos produtores estão o alto risco da cultura, o baixo retorno financeiro direto e o encarecimento do crédito e de ferramentas de proteção.

"A cultura de inverno sempre apresentou riscos, e muitas vezes o produtor enfrenta dificuldades para obter uma margem financeira atrativa, valendo-se mais dos benefícios indiretos que o trigo traz para o solo e para a rotação de culturas", explica Sauthier. "Além disso, as ferramentas que antes mitigavam esses riscos, como os seguros agrícolas e os financiamentos do Proagro, tornaram-se muito onerosas, fazendo com que o agricultor optasse por deixar a cultura de lado neste momento", salienta.

Enquanto as lavouras semeadas já entram em estágio vegetativo e recebem os primeiros manejos fitossanitários, o panorama de queda não se restringe à área de abrangência da cooperativa. O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional do cereal, também enfrenta uma redução severa no plantio. Embora praças do Centro-Oeste, como São Paulo e Goiás, registrem leves altas na área semeada, o incremento não é suficiente para compensar as perdas do Sul do país.

Como consequência direta dessa menor intenção de plantio, o mercado deve se preparar para um déficit nacional de área e, por conseguinte, uma menor disponibilidade de matéria-prima para abastecer os moinhos nacionais e atender aos volumes de exportação.

Impacto no Moinho de Trigo

A produção de trigo dos cooperados da Tradição é totalmente transformada em farinha pelo moinho da própria cooperativa, instalado na cidade de Itapejara d`Oeste. Com a atual redução na safra local, a cooperativa já visualiza a necessidade de comprar o cereal in natura de outras cooperativas por meio do modelo de intercooperação. "Nossa farinha é comercializada para grandes indústrias de alimentos. Para atender à necessidade de nossos clientes e manter o abastecimento, já estamos prevendo a compra de trigo de fora", destaca o gerente do moinho, Marcos Roberto Vaz Lemes.

Termos de Uso e Aviso de Cookies

Cookies: a Tradição salva estatísticas de visitas para melhorar sua experiência de navegação, obtenha mais informações em nossa Política de Privacidade