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Conflito no Oriente Médio acende alerta no agronegócio mundial e exige atenção dos produtores

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As tensões recentes no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Iraque e Irã, já começam a refletir diretamente no cenário do agronegócio global. A instabilidade geopolítica na região impacta mercados estratégicos como o de fertilizantes, combustíveis e commodities agrícolas, acendendo um sinal de alerta para produtores rurais em todo o mundo.

Isso ocorre porque países da região possuem papel relevante tanto no fornecimento de insumos essenciais para a produção agrícola quanto na importação de commodities. Alterações nas rotas logísticas, aumento no custo do petróleo e incertezas comerciais tendem a gerar efeitos em cadeia que chegam até o campo.

De acordo com o gerente comercial de insumos da Cooperativa Agroindustrial Tradição, João Ernesto Hoppen, o Irã é um dos principais produtores de fertilizantes nitrogenados do mundo. "Hoje aproximadamente 45% da ureia consumida no mundo é produzida no Irã. Além disso, outros produtores importantes de nitrogenados também estão localizados nessa região, como Catar e Emirados Árabes Unidos, países que têm grande participação na produção de petróleo, fosfatados e outros insumos básicos utilizados na agricultura", explica.

Outro ponto de atenção destacado por Hoppen é a situação do Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde passam, aproximadamente, 25% do petróleo consumido no mundo. Segundo ele, o fechamento do estreito ao longo da última semana provocou alterações nas rotas de navegação e elevou custos logísticos globais. "A interrupção da rota impacta diretamente o transporte marítimo. Houve aumento no valor dos fretes e também nos seguros de cargas, reflexo da instabilidade provocada pelo conflito. Isso acaba afetando diversas cadeias produtivas e chega até o agronegócio", observa.

Campanha para a próxima safra

Apesar do cenário de atenção, Hoppen destaca que os cooperados da Tradição seguem abastecidos. "A disponibilidade de produtos está sendo acompanhada de perto, mas hoje os cooperados da Tradição contam com boa disponibilização de fertilizantes. Nos próximos dias a cooperativa também deve lançar condições especiais em forma de campanha para apoiar os produtores. Mesmo assim, é fundamental manter atenção às movimentações do mercado", afirma.

No mercado de commodities, os reflexos também já começam a aparecer. O especialista em trading de commodities da Tradição, Julio Cezar Pessanha Rangel Junior, explica que conflitos na região elevam as incertezas no mercado global de energia, gerando impactos diretos nas cadeias agrícolas. "Essa região tem grande participação no mercado de petróleo. Quando ocorrem conflitos armados, aumenta a insegurança e muitos operadores evitam o tráfego pela região. Esse risco elevado gera pressão nos preços da energia e acaba influenciando várias commodities agrícolas", avalia.

Segundo ele, o reflexo já foi percebido nas cotações da soja na última semana. "Quando os conflitos se intensificaram, vimos vários picos de preço. Isso acontece porque a soja é base para produção de óleo e biodiesel. Com o petróleo pressionado, os biocombustíveis ganham mais atenção no mercado", explica.

O movimento também se estende a outras cadeias energéticas. O etanol produzido a partir do milho, por exemplo, pode ganhar competitividade como alternativa à gasolina em cenários de petróleo mais caro. Além das commodities, o ambiente de risco global também influencia o câmbio e o comportamento dos investidores. "Em cenários de conflito, muitos investidores retiram recursos de ativos considerados mais arriscados e buscam aplicações mais seguras, como títulos do Tesouro americano e ativos em dólar. Isso acaba reduzindo investimentos em mercados emergentes, como o Brasil, e pode impactar tanto o câmbio quanto os investimentos na bolsa e na renda fixa brasileira", conclui.

Diante desse cenário internacional, especialistas reforçam que acompanhar os movimentos do mercado global torna-se cada vez mais importante para o planejamento da produção e das estratégias comerciais no agronegócio. Também destacam que a Cooperativa Tradição mantém toda a sua equipe de especialistas acompanhando os desdobramentos do conflito e preparada para orientar e atender os cooperados.

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